Este é um blog de lamentações, comisserações, e possivelmente mais alguns "ões" à mistura... É proibida a entrada a quem andar de bem com a vida, sob pena de ficar em estado vegetativo, tal como estou nesta fase da minha vida...

Porque a vida é feita de momentos por vezes dolorosos e nem sempre estamos preparados para enfrentá-los...
Segunda-feira, 26 de Março de 2012

Mais um dia de profunda tristeza. Confesso que não percebo... A cada dia que passa mais difícil se torna.

Hoje, talvez por ser o primeiro dia de trabalho da semana, talvez porque sim, hoje, estou sem concentração nenhuma, frente ao computador, quando devia estar a trabalhar, a projectar, a ser quem eu sou, hoje, nada consigo fazer...

Os olhos parecem querer fechar, a respiração parede querer suster-se, perco o controlo dos movimentos, não me apetece fazer nada.

Sinto-me inútil, sem forças, sem vontade.

Penso em ti a toda a hora, mas não consigo verbalizar, não consigo falar.

Talvez seja isso que me abafa, que me impede de ser.

Queria tanto ter a certeza que estás aí, algures, saber que estás bem, saber que me perdoas. Se pelo menos tivesse um sinal...

Sinto-me abandonada, só... tão só que até doi.

Quando ainda há bem pouco tempo, a casa estava sempre cheia, eu não tinha um momento para mim, um momento de descanso... e agora, agora estou só, sem notícias, sem ninguém, sem ti...

Não só eras o meu pilar, como também eras a união desta família. Sem ti, nada mais será igual.

Estou cansada de tudo, cansada das obras, cansada de tentar apagar a tua presença em vão... tudo muda, tudo passa mas no fundo, continuas presente.

Talvez seja a culpa, a culpa que sinto por ter permitido uma intervenção condenada à partida, ter-te infligido mais sofrimento. Talvez seja por isso que não tenho descanso, não tenho trégua. A julgar por tudo o que me têm dito desde então, não deveria sentir esta culpa. Sei que não. Sei que qualquer um de nós teria feito o mesmo. Mas não foi qualquer um. Fui eu... Fui eu que fiquei ao teu lado, a ver o teu sofrimento, fui que que fiquei a ouvir que não queria mais, que querias partir para junto do papá... Fui eu que fiquei a ver o teu olhar sofrido, implorando por um fim e esta imagem não me sai da cabeça, persegue-me, atormenta-me...

Preciso de sentir paz, apaziguar este sentimento sufocante...

Preciso de sentir que a minha família, a tua família, continua próxima, não se esqueceu de mim, que eu não era apenas um adorno, uma presença ao teu lado, que não deixei de existir por teres partido...

Porque bem lá no fundo, é isso que me atormenta... sentir que deixei de existir sem ti...

 

 

publicado por Abigai às 17:33

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