Olho para trás e vejo todos os bons momentos, os maus também.
Recordo com ternura todos os ensinamentos, todas as lições de moral, todos os castigos.
A vida é feita de momentos.
A felicidade é feita de momentos.
Contigo tive uma vida preenchida, uma vida feliz.
Todos os sacrifícios feitos por ti, para ti, esfumam-se perante estes momentos de carinho, momentos presentes, momentos felizes.
E depois olho em frente e nada vejo.
Não vislumbro sequer uma luz, uma saída.
Apenas vejo aquele olhar de súplica, a implorar paz, a implorar alívio, tréguas, um cessar fogo que eu não permiti.
Naquele momento, quis perpetuar uma felicidade idílica, inexistente na qual teimava em acreditar.
Agora tento agarrar-me aos bons momentos mas estes parecem fugir. Desamparada, sinto-me cair numa teia de sofrimento que te infligi, um sofrimento que agora sei desnecessário.
E entoam na minha cabeça aquelas palavras que ainda me disseste, aquelas palavras aterradoras, sofridas, inesquecíveis, palavras que corroem, palavras que matam. Palavras que ninguém entendia mas que eu percebi, palavras que me atingiram como uma seta certeira, em cheio onde mais doía.
Viveste, sofreste e moreste, mas continuas mais presente do que nunca.
Perdoa-me por ter-te infligido tanta dor, tanto sofrimento, tanta degradação, quando tudo podia ter terminado em paz, na tua casa, na tua cama, como bem tentaste explicar.
Perdoa-me por não ter sabido aceitar o fim, perceber a tua vontade e onde quer que estejas, por favor, ajuda-me a ultrapassar a tua perda.