Quando a noite cai, sentada cá fora ao relento, naquele que já não é o teu terraço, desprovido das plantas e flores que tanto gostavas e cuidavas, as saudades apertam.
Saudades do tempo em que a tua ausência era simplesmente inimaginável.
Saudades da imagem de imortalidade que transparecia de ti.
Saudades dos teus reparos, da tua presença inabalável, dos teus improváveis e raros queixumes.
Saudades do teu rosto, da tua pele lisa e macia, poupada das habituais marcas do tempo e da velhice.
Saudades dos teus gestos lentos, atrapalhados, desajeitados pela fraqueza de uns ossos marcados pela idade e por uma vida de trabalho e esforço.
Saudades dos mal-entendidos, das conversas trocadas, das palavras truncadas por ouvidos cansados e surdos.
Saudades do teu carinho sempre adequado às circunstâncias, sempre transparente, sempre presente.
Saudades das tuas preocupações exageradas, aumentadas pelas cismas de um dia-a-dia fechado, preso a um corpo de cada vez mais inerte apesar da tua categórica renúncia em parar.
Saudades da tua força, da tua capacidade em mover montanhas, em nunca renunciar.
Saudades do teu amor transbordante, transparente, evidente e sempre presente.
Saudades de ti...