O teu olhar...
Quando o teu olhar pousava em mim, naquele jeito que tanto te caracterizava, sentia-me viva, sentia-me existir.
Agora sinto-me perdida, sem sentido, sem direcção...
Perdi o meu pilar, a minha âncora e sinto-me afundar.
Às vezes parece que vou emergir, que estou a chegar a superfície e, de repente, algo me puxa novamente para o fundo.
Será sempre assim? Ou chegará o dia em que sairei definitivamente das profundezas?
Preciso desesperadamente que este dia chegue, este humor ió-ió, ora animada, ora deprimida, está a deixar-me arrasada.
Incompreendida por todos, mostro-me bem quando na verdade não estou e, quando exausta dou uma resposta torta, um olhar vazio, uma atitude repentina, sinto olhares pesados postos em mim, olhares de crítica, de condenação...
Perdi a orientação, a minha dinâmica e reajustei toda a organização familiar. Mostrei-me segura, competente. Mostrei-me à altura do desafio, equilibrada e independente, enquanto no meu íntimo tudo se desmoronava, ardia em lume brando e contínuo...
Lentamente os dias vão passando, sem uma palavra de compreensão, de reconhecimento, sem um olhar que me faça sentir viva, que me faça sentir existir...