Este é um blog de lamentações, comisserações, e possivelmente mais alguns "ões" à mistura... É proibida a entrada a quem andar de bem com a vida, sob pena de ficar em estado vegetativo, tal como estou nesta fase da minha vida...

Porque a vida é feita de momentos por vezes dolorosos e nem sempre estamos preparados para enfrentá-los...
Terça-feira, 17 de Abril de 2012

O teu olhar...

Quando o teu olhar pousava em mim, naquele jeito que tanto te caracterizava, sentia-me viva, sentia-me existir.

Agora sinto-me perdida, sem sentido, sem direcção...

Perdi o meu pilar, a minha âncora e sinto-me afundar.

Às vezes parece que vou emergir, que estou a chegar a superfície e, de repente, algo me puxa novamente para o fundo.

Será sempre assim? Ou chegará o dia em que sairei definitivamente das profundezas?

Preciso desesperadamente que este dia chegue, este humor ió-ió, ora animada, ora deprimida, está a deixar-me arrasada.

Incompreendida por todos, mostro-me bem quando na verdade não estou e, quando exausta dou uma resposta torta, um olhar vazio, uma atitude repentina, sinto olhares pesados postos em mim, olhares de crítica, de condenação...

Perdi a orientação, a minha dinâmica e reajustei toda a organização familiar. Mostrei-me segura, competente. Mostrei-me à altura do desafio, equilibrada e independente, enquanto no meu íntimo tudo se desmoronava, ardia em lume brando e contínuo...

Lentamente os dias vão passando, sem uma palavra de compreensão, de reconhecimento, sem um olhar que me faça sentir viva, que me faça sentir existir...

 

 

publicado por Abigai às 14:12

Segunda-feira, 09 de Abril de 2012

Estava eu ainda a arrumar toda a confusão destas obras que visavam apagar a tua presença nesta casa que aos poucos começo a sentir como minha e lembrei-me. Lembrei-me o quanto gostavas de ver tudo arrumado, aprimorado, o quanto gostava de organização...

Não te vou deixar ficar mal, garanto-te. Como tu, gosto de ver tudo nos seus sítios, nos seus lugares, bem organizado, limpo e arrumado.

Olho em redor e penso que terias gostado das mudanças, teria gostado de ver estes novos espaços, a amplitude que a casa ganhou. Parece tudo maior, melhor, novo.

E a nova porta de entrada? Há quanto tempo ansiavas por ela? Sempre que saio ou entro penso em ti, em quanto desejaste uma porta nova, em todas as vezes em que falaste nisto, e tenho a certeza que terias gostado. Pena foi partires sem a ver, sem ter conseguido o que mais pediste e há quanto tempo!

Hoje, já se parece mais comigo, já me sinto no meu lugar, mas afinal não é isso que me prendia, pois não? Não melhorou por estar diferente, por apagar a tua presença nos lugares, nos móveis, nos quadros... Não estás nos bens materiais, pois não? Estás em mim, estás no ar... Continuas presente, continuas comigo... É claro que não quero esquecer-te, não te quero deixar, só queria apagar as últimas imagens e ficar com o melhor... Sei que o tempo irá ajudar, acredito que um dia irão ficar apenas os bons momentos, mas o tempo é longo e sinto-me obcecada, sinto-me assoberbada por estas últimas imagens, estes últimos momentos que corroem, que assolam um viver difícil... E sinto-me perseguida, abandonada, esquecida. Sinto que sem ti não existo e em todas as palavras ditas ou por dizer, vejo o quanto fiquei transparente, invisível aos olhos dos outros.

Quem mais se importa comigo? Quem mais tenta saber se estou bem, se preciso de alguma coisa? Quem mais me visita?

Afinal, será que existo sem ti?

Talvez família sejamos apenas nós, eu, o M. e o G. Talvez sem ti, tudo o resto se esfumou... Talvez falte conformar-me com isso, talvez depois tudo melhore... Talvez, mas não é isso que quero, não sei se consigo... Este vazio sufoca-me!

 

 

publicado por Abigai às 12:55

Segunda-feira, 26 de Março de 2012

Mais um dia de profunda tristeza. Confesso que não percebo... A cada dia que passa mais difícil se torna.

Hoje, talvez por ser o primeiro dia de trabalho da semana, talvez porque sim, hoje, estou sem concentração nenhuma, frente ao computador, quando devia estar a trabalhar, a projectar, a ser quem eu sou, hoje, nada consigo fazer...

Os olhos parecem querer fechar, a respiração parede querer suster-se, perco o controlo dos movimentos, não me apetece fazer nada.

Sinto-me inútil, sem forças, sem vontade.

Penso em ti a toda a hora, mas não consigo verbalizar, não consigo falar.

Talvez seja isso que me abafa, que me impede de ser.

Queria tanto ter a certeza que estás aí, algures, saber que estás bem, saber que me perdoas. Se pelo menos tivesse um sinal...

Sinto-me abandonada, só... tão só que até doi.

Quando ainda há bem pouco tempo, a casa estava sempre cheia, eu não tinha um momento para mim, um momento de descanso... e agora, agora estou só, sem notícias, sem ninguém, sem ti...

Não só eras o meu pilar, como também eras a união desta família. Sem ti, nada mais será igual.

Estou cansada de tudo, cansada das obras, cansada de tentar apagar a tua presença em vão... tudo muda, tudo passa mas no fundo, continuas presente.

Talvez seja a culpa, a culpa que sinto por ter permitido uma intervenção condenada à partida, ter-te infligido mais sofrimento. Talvez seja por isso que não tenho descanso, não tenho trégua. A julgar por tudo o que me têm dito desde então, não deveria sentir esta culpa. Sei que não. Sei que qualquer um de nós teria feito o mesmo. Mas não foi qualquer um. Fui eu... Fui eu que fiquei ao teu lado, a ver o teu sofrimento, fui que que fiquei a ouvir que não queria mais, que querias partir para junto do papá... Fui eu que fiquei a ver o teu olhar sofrido, implorando por um fim e esta imagem não me sai da cabeça, persegue-me, atormenta-me...

Preciso de sentir paz, apaziguar este sentimento sufocante...

Preciso de sentir que a minha família, a tua família, continua próxima, não se esqueceu de mim, que eu não era apenas um adorno, uma presença ao teu lado, que não deixei de existir por teres partido...

Porque bem lá no fundo, é isso que me atormenta... sentir que deixei de existir sem ti...

 

 

publicado por Abigai às 17:33

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

No dia 3 de Fevereiro o meu mundo baloiçou e tudo mudou.

Estou ainda em fase de recuperação, à procura do meu lugar numa tentativa de me reencontar.

Tento libertar-me através da escrita. Adoro escrever.

Lamentavelmente, desde esse dia, além do trabalho que me ocupa a mente, nada mais sei fazer além de perder-me em auto-comisserações e tristezas. Não consigo ainda abstrair-me da perda e a solidão aperta, o sentimento de abandono de tudo e todos não me dá treguas.

Deixei de escrever no blog habitual, não me pareceu justo estar constantemente a lamentar-me. A minha escrita é depressiva, obsessiva.

Pensei escrever apenas para mim mas cheguei à triste conclusão de que, além de necessitar mesmo de escrever, só mesmo a publicação dos texto me devolve a libertação que procuro, quer me leiam ou não, quer comentem ou não... não é de facto compreensão que preciso, não é solidariedade que busco, é mesmo o deitar cá para fora os sentimentos confusos que me torturam, o sofrimento destruidor que me invade.

 

publicado por Abigai às 14:53

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